Bohemios de bar
Venha sentar nessa mesa.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Hiliato
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Como é mesmo que se pergunta?

“Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe”
Hoje você já se perguntou “de onde”? Já se perguntou “pra onde”? Já se perguntou o sentido que existe entre o “de onde” e o “pra onde”? Se você não se perguntou eu pergunto, quando você parou de se perguntar?
Era uma vez um povo sedento por respostas. Queriam ser respondidos, mas nem tudo o que eles queriam eram as respostas. Queriam também perguntas. E através das perguntas buscavam respostas sobre o “nascer”, sobre o “viver”, sobre o “partir”. Buscavam respostas para perguntas difíceis, aventurando-se até mesmo em perguntar sobre o “simples” existir. À medida que perguntavam se aproximavam perigosamente do que procuravam. Inclusive da resposta à pergunta mais difícil, aquela que poucos ousam admitir. “Pergunto-me, logo existo”. Não foram bem essas as palavras, mas foi mais ou menos esse o pensamento que um sábio perguntador um dia resolveu proferir.
Mas tamanha sede por respostas acabou por afogar este povo. E ironicamente afogaram-se em suas próprias respostas. Porque as respostas se tornaram um produto valioso e já não importava mais quem as proferia, o importante era tê-las. Diante da grande demanda por respostas faltou tempo para as perguntas. E perante a falta de perguntas começaram a sobrar respostas. Então, como num divórcio existencial, perguntas e respostas deixaram de viver juntas. Respostas acumuladas de um lado, perguntas sem sentido de outro. Assim o povo hipnotizado por tantas respostas sucumbiu..., e acabou por esquecer o sentido das perguntas.
Uma vez li que uma das características que diferenciava nós, os seres humanos, dos outros animais, era justamente a capacidade que tínhamos de nos perguntar. Mas aí eu pergunto: como é mesmo que se pergunta?
http://universodomad.blogspot.com/
MAD (Vulgo Rafael M.B.)
sábado, 19 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Burgues
sábado, 22 de outubro de 2011
Cotidiano:

Eita semana boa!/Morena que pele linda;/Diz que é doida!/Digo viva!
Semana quente, no espetáculo do dia-dia, o teatro ressurgiu, na rua quem passou viu!
Mas tem cosa ai!
No caminho para casa! Muita gente se vê, não tem como saber se é a morena sedutora ou a atriz encantadora.
Meus parceiros dão conselho, vou arruma trabalho até no banheiro. Sem cai no desespero talvez um samba maneiro, eu danço com dinheiro!
Eita semana doida, muita gente conheci, nas nuvens vi, gente nossa mora perto, aperto! Mando beijo, pago vinho, prazer imenso em servir!
Semana correndo já passou, vamos ver o que acontece, na noite quente de Floripa, cerveja boa deve ter, vem morena vem, atriz nata vem também! Que sonho bom, pena que acordei!
Jordane
sábado, 15 de outubro de 2011
Poema dos desejos
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Uma, duas, três.

Difícil quando, lugar a chegar, não vai.
Razão sua, não têm.
Bem, assim sou.
Em noites ruins, você esta.
Te julgo, se caso for.
Bêbado no bar estará.
Na lua cheia, quando chegar.
O mar anil, no oceano reluz.
Olhos lindos, eu imagino.
Cabelos de fogo, ela têm.
Nem serpente, nem vampiro.
Boto amazônico é.
Basta saber, eu sei.
Sou eu agora, a persona.
Não percebeu? As mulheres.
Uma antes, outra agora.
Uma deusa, outro boto.
Pescar agora, eu vou.
Jordane Câmara
domingo, 9 de outubro de 2011
Bom dia do escravo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Mefistofeles no velorio

Mortificação, dor, saudades nada disso ela sente.
O corvo traz a mensagem ao poeta vivo.
Ele vê a tragedia em sua frente, o corvo sorri pois sua felicidade e' o desencanto;
como a morte e' para o vivo, a infelicidade emana nos olhos antes brilhantes,
ele morreu, diz Platão, devia ter separado da família aos doze,
Paris, Montevidéu, Caracas, Sidney, Londres, Egito, Toquio não existe lugar que não tenha visitado,
ela prega peças, ela diz: I need new esperience! Tudo e' igual, ela ce comove, e ve em seu leito de morte apenas um quadro, uma flor e apenas uma lagrima, uma lagrima ha muito esquecida por ela. Sua outra metade, aquele que o mundo procura, um poeta.Homem solitario, sem muitas palavras, sem muitas lagrimas.
E o corvo pela ultima vez ce pronuncia a eferma: Es o que restou do seu outro eu. A morte infame, e advinhe? Sua unica flor de velorio e' de quem voce deixou ha tempos. Viva para a eternidade, conheca toda a sabedoria pois aquele que lhe podia fazer feliz, mesmo que momentaneamente preferiu a morte que experar sua lucidez!
Entao como magica o corvo some. No seu lugar Mefistofelis argumenta, Nem Dante havia pensado, imediatamente imediato! Oxum ja havia lhe dito, sunce nao houve de ve! Terminas o que comecou, ou terminarei em voce!
A mulher prepotente alienada segue seu rumo, deixa o velorio dos sentidos, alimenta seu ego, fica bebada e lembra.
O cavader se remexe, nasce novamente das cinzas do amor, Agora diferente, olha o presente e sorri friamente, Rimas eloquentes e; o que brota da mulher indecente. Moral e sutileza e' o banquete dionisiaco.
Jordane Camara
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Não sei. Não sei. Não sei. Mas, quero muito descobrir.

Às vezes mesmo entendendo nada e compreendendo ninguém nessa vida, insisto em tentar. Os meus sonhos foram derrubados por mim, enterrados por mim e jogados fora por mim. A minha criatividade e minhas idéias de que tanto me orgulhava foram para em algum lugar que ainda não descobri. Aquele, meu medo de que nada desse certo me dominou e me tornou em algo que até agora não sei. Não me reconheço, não sei o que sou e o que esperar de mim mesmo para o futuro, que parece distante, mas está ai. A pressão, colocado sobre mim, por eu próprio, infundiu os meus pensamentos, quebrou a minhas pernas e remoeu o pouco de coragem que eu tinha. Preciso achar força, mais aonde? Mais como? Preciso de algo novo. Algo revelador. E se todos os meus sonhos fosse verdade. E se eu ainda não estou preparado?
Alceu Kunz
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A mensagem

É a imagem que me preocupa! Seu desdém ingênuo me atrai, estou em você a qualquer tempo, em qualquer lugar, não podes fugir, mas é a imagem que me preocupa. O fragmento sem reação, a dúvida que tua imagem me arremete, sua atitude pura que a mantem viva! Mas é a imagem que devo me preocupar. Não podes me entender, não podes ser não és. Figura meu passado, motiva meu futuro. Intervêm nas minhas certezas, afaga meu carinho. Abusa da sorte. Nos caminhos da vida me espera com sorriso infortúnio, sua foice afiada lança gritos malvados, ouço o sussurro mórbido que me espera. Não podes estar perto de mim, não é a hora, não acho que seja, não quero que seja, não sei, em verdade teu abraço antes revitalizador, como um banho para o jogador, como sangue para o hemofílico, perde sentido, tuas palavras destroem o calor dos teus braços, porque a imagem que importa. A imagem que mortifica o autor, este nulo de inspiração, vive para comprar as joias, os perfumes, as viagens, as luzes mas nada se compara a criação. Criar aquele abraço antes quente e apertado, só nas palavras de um poeta, sinta frio, ela esta por perto, você não viu? A imagem.
então a morte termina seu dialogo com Ulisses. O mensageiro corvo voa para informar um poeta.
sábado, 24 de setembro de 2011
O corvo sorri.

Ironizar, alternativa de viver. Diz o poeta do amor, que ainda crê nisso.
Pobre infeliz, não se consegue razão nessa circunstancia. - Fala o corvo aos sussurros - ,
Ainda confuso com a fala do pássaro que antes vivia apenas em contos de Poe, sem saber o que acontece com sua realidade o poeta acende mais um cigarro e caminha até a janela paralela a que o corvo putrefaciente esta. Respira com dificuldades, seu pulmão não responde a sua necessidade. Com peito frenético, agudo, lança seus dedos úmidos aos botoes de sua camisa velha. A brisa leve da primavera alivia o suor, suas pálpebras dilatadas correm o olhar na avenida movimentada, ela não esta ali, ele ainda a vê, a sente, o lençol ainda não foi lavado, serve de adorno nas noites tensas.
Como tatuagem perene na sua vida.
Ela virá até você, virá como cobras no silencio, pulsante, intransigente!
Como punhais, as palavras grunhidas pelo Corvo prevem o infarto já desejado pelo infame néscio. Então um sorriso amarelado pelos maços intermináveis de cigarro surge no sujeito irônico. Sorri para morte como um espartano sorri para o inimigo incapaz em batalha. Grunge em silencio mórbido: - não es tu que me desespera. Não sois você que desejo, espera foice inevitável, abraçarei sua vontade, mas não hoje.
Em sua primeira dose de heroína o poeta já gozou seus delírios, agora vive o explendor que seu organismo promove ao tentar eliminar aquela substancia acida. Semana pós semana as doses tornam-se rotina. Alivio imediato. Ele quase não lembra os motivos que o deixa triste, enquanto isso o menino cadeirante mendiga no sinal, de sua janela ele joga uma seringa, o menino sorri.
Jordane Câmara.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Você sabe exatamente onde está agora?
Vamos adiante: você é um pontinho microscópico na superfície de uma bola. Esta bola gira em torno de outra, que por sua vez está localizada num
cantinho de uma galáxia, junto com milhões de bolas semelhantes.
Esta galáxia faz parte de um negócio chamado Universo, cheio de gigantescos aglomerados estelares. Ninguém sabe exatamente onde começa e onde termina o que chamam de Universo.
Mesmo assim, você é o máximo. Luta, se esforça, e tenta melhorar. Tem sonhos. Fica alegre ou triste por causa do Amor. Se você não estivesse vivo, algo ia estar faltando.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O que motivou o 11 de setembro

Alguém precisa ser desumano para não condenar os ataques de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas e o Pentágono por parte da Al-Qaeda e cruel ao não mostrar solidariedade para com as mais de três mil vítimas do ato terrorista.
Dito isto, precisamos ir mais fundo na questão e nos perguntar: por que aconteceu este atentado minuciosamente premeditado? As coisas não acontecem simplesmente porque alguns tresloucados se enchem de ódio e cometem tais crimes contra seus desafetos políticos. Deve haver causas mais profundas que a persistir continuarão alimentar o terrorismo.
Se olharmos a história de mais de um século, nos damos conta de que o Ocidente como um todo e particularmente os EUA humilharam os países muçulmanos do Oriente Médio. Controlaram os governos, tomaram-lhe o petróleo e montaram imensas bases militares. Deixaram atrás de si muita amargura e raiva, caldo cultural para a vingança e o terrorismo.
O terrível do terrorismo é que ele ocupa as mentes. Nas guerras e guerrilhas precisa-se ocupar o espaço físico para efetivamente triunfar. No terror não. Basta ocupar as mentes, distorcer o imaginário e introjetar medo. Os norte-americanos ocuparam fisicamente o Afeganistão dos talibãs e o Iraque. Mas os talibãs ocuparam psicologicamente as mentes dos norte-americanos. Infelizmente se realizou a profecia de Bin Laden, feita a 8 de outubro de 2002: “os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”. Hoje o país é refém do medo difuso.
Para não deixar a impressão de que seja anti-norteamericano, transcrevo aqui parte da advertência do bispo de Melbourne Beach na Florida, Robert Bowman, que antes fora piloto de caças militares e realizara 101 missões de combate na guerra no Vietnã. Endereçou uma carta aberta ao então presidente Bill Clinton que ordenara o bombardeio de Nairobi e Dar es-Salam onde as embaixadas norte-americanas haviam sido atacadas pelo terrorismo. Seu conteúdo se aplica também a Bush que levou a guerra ao Afeganistão e ao Iraque e continuada por Obama. A carta ainda atual foi publicada no católico National Catholic Reporter de 2 de outubro de l998 sob o título: “Por que os EUA são odiados?” (Why the US is hated?) tem esse teor:
“O Senhor disse que somos alvos de ataques porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Um absurdo! Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas. Em quantos países agentes de nosso Governo destituíram líderes escolhidos pelo povo trocando-os por ditaduras militares fantoches, que queriam vender seu povo para sociedades multinacionais norte-americanas!
Fizemos isso no Irã, no Chile e no Vietnã, na Nicarágua e no resto das repúblicas “das bananas” da América Latina. País após país, nosso Governo se opôs à democracia, sufocou a liberdade e violou os direitos do ser humano. Essa é a causa pela qual nos odeiam em todo o mundo. Essa é a razão de sermos alvos dos terroristas.
Em vez de enviar nossos filhos e filhas pelo mundo inteiro para matar árabes e, assim, termos o petróleo que há sob sua terra, deveríamos enviá-los para reconstruir sua infra-estrutura, beneficiá-los com água potável e alimentar as crianças em perigo de morrer de fome. Essa é a verdade, senhor Presidente. Isso é o que o povo norte-americano deve compreender”.
A resposta acertada, não foi combater terror com terror à la Bush, mas com solidariedade. Membros das vítimas das Torres Gêmeas foram ao Afeganistão para fundar associações de ajuda e permitir que o povo saísse da miséria. É por essa humanidade que se anulam as causas que levam ao terrorismo.
Leonardo Boff é autor de Fundamentalismo,Terrorismo, Religião e Paz, Editora Vozes, Petrópolis 2009
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O tempo é tudo aquilo que realmente temos.
O mundo acaba assim como a vida um dia vai acabar.
O fim é eminente, não existe nada que possamos fazer para que isso seja uma metáfora.
O que podemos fazer é viver.
Mas, a pergunta que fica é: Como viver e aproveitar o máximo nos dias de hoje?
Temos que nos preocupar com diversas coisas, família, estudos, trabalho, amores e etc.
A questão é entender que a vida é continua. E não reduzida e orientada pelos calendários e relógios.
Viver preso nos ponteiros do senhor do tempo é esticar a corda para a forca da vida. Ai entra o trabalho da ansiedade, que mata e destroça todos os nossos sentimentos.
A única coisa, que temos que tirar disso é que o tempo, nunca vai dar tempo ao tempo para que tudo melhore sem esforços.
O esforço é necessário, nada se tem sem esforço, nem mesmo o tempo, entender, compreender o tempo é uma virtude, e viver com ele com sabedoria poucos conseguem.
O tempo é tudo aquilo que realmente temos. A única coisa que verdadeiramente nos pertence, por isso não o desperdice.
E lembre-se, tempo não é dinheiro, tempo é o fio que move nossas vidas.
Alceu Kunz
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Citações
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
e se vc tivesse amado o outro?

Tristeza não tem fim, felicidade sim
Se o mundo, as pessoas, o universo pudesse estar em conexão;
se isso realmente fosse possível,
se isso realmente acontece,
o que você pensaria ao descobrir?
você se permitiu? Você foi um ser legal?
Pensou que isso tudo que acontece é placebo?
Que as verdades veem à tona?
Amou de verdade uma vez na vida?
Se errar é a beleza de viver, erramos mais!
Se o ódio pelo outro supera a razão você o mata? O consome?
Se você diz: dane-se, se vira, problema seu!
Então mais uma vez a logica de mercado esta correta!
Se você tivesse nascido com todas as possibilidades?
Pudesse viajar, estudar varias línguas, ser astro de cinema,
você seria melhor? Se sentiria melhor?
Semana passada o mundo chegou a casa de 7 bilhões.
São muitas vidas, muitas bocas para comer,
nos preocupamos com isso?
Você amou alguém?
Você deixaria seu amor morrer de fome?
Você abandonaria seu amor?
Você poderia amar 7 bilhões?
Se gaia é a terra e um espirito universal existisse.
Você pensaria nessas coisas...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
JIM KLEIST

"se sentir é criar,
e criar é estar vivo,
se estar vivo é encontrar,
e encontrar, na verdade, é reencontro,
se reencontro é privilegiar,
e privilegiar na verdade é esquecer,
posso resumir, de uma forma apressada, claro, todo o meu processo de escrever como um ato de esquecimento..
eu escrevo justamente porque esqueço..
esqueço tudo o que aconteceu.. tudo o que acabou de acontecer.. tudo o que está acontecendo justamente agora..
você sabe... estou aqui nesse café todas as noites,
como em uma espera, uma ante sala, um andar abaixo, quase como* (trecho não identificado da gravação)
eu escrevo porque é a melhor forma de se aproximar,
estar perto e não visível,
quase um desenho sonoro
você se lembra do bill evans?
vc se lembra daquelas noites no village?
ele falava daquele livro, lembra? aquele livro...
(nesse momento somos interrompidos por um grupo de amigos de jim)
vc ainda quer falar da escrita, cara? mas eu gosto mais é dos quadros..
bem.. eu escrevo.. eu escrevo porque essa foi (e sempre será) a melhor forma de não dizer..
de ocultar - tudo que se expressa aqui já é o desvio..
tudo que se representa já é limitado, vc sabe..
aquilo que sinto,
aquilo que trago aqui dentro de mais profundo,
isso eu ignoro e nunca poderei mostrar...
quando faço um filme, eu tento encarar todo esse processo como uma espécie de recordação..
eu visito as possíveis locações como se fossem vestígios de um lugar em que eu já estive..
eu olho atentamente para os atores buscando alguma sintonia improvável..
eu nunca quero o ator disponível, eu não quero aquele intérprete que quer trabalhar comigo..
eu quero justamente o que me diz não,
aquele que me ignora, que nunca me viu, que não pretende nada, que está isolado no bar pensando nas apostas que fez,
que não voltou ainda pois provavelmente não há para onde voltar..
e eu odeio terminar todo esse processo..
odeios a idéia de terminar um filme.. gosto do fotograma um a um.. gosto de ficar horas e horas no material bruto..
ali há uma música que dificilmente poderá ser ouvida novamente..
quando fiz o "blue in green", o evans me chamava toda noite.. não tinha energia elétrica na casa dele, não tinha mais bebidas, não tinha nada naquele apartamento..
a namorada dele o abandonou... a gente chegava do village e ele ficava tocando bach.. tinha uma ou outra vela por ali, vc sabe... um monte de livro de filosofia jogado...
ele me falava de uma garçonete pela qual ele se apaixonou...
mas havia tanta tristeza naquela paixão... tanta tristeza... não sei..
eu vi a dor mais profunda nos olhos daquele homem.
eu vi a solidão mais silenciosa..
afinal ele tocava todas as noites naquela época e tudo o que eu podia ouvir era o silêncio"
(trecho extraído de uma entrevista com o cineasta norte-americano JIM KLEIST (1941-1992) publicado pela revista BLOOD em fevereiro de 1963 - tradução de Rodolfo Arruda)


